FORMATURA G6

No Grupo 6, as crianças aprofundam a relação com a língua escrita, as ciências e a matemática a partir das vivências significativas. Tudo é discutido, registrado e compartilhado. É um ano de finalização em que as crianças retomam seus processos no Grão e se preparam para a nova escola.

O G6 acontece desde 1997, muito depois de termos fundado a escola, em 1984. Foi nesse momento de amadurecimento da proposta, com foco na arte e no brincar, que pudemos nos certificar que os tempos do Grão permitiam a alfabetização e o processo da construção do número para as crianças de 6 anos.

Até 2009, o G6 era o último ano da Educação Infantil. A partir de 2011 ele passou a ser o 1º ano do Ensino Fundamental e as crianças vão para o 2º ano com histórico escolar e transferência.

A formatura do G6 acontece com a participação dos pais, das crianças e a equipe da escola. É um momento de ritualizar a saída das crianças e o término do processo da escola.

Os pais são convidados a organizar uma parte do evento, normalmente com uma apresentação, seja de teatro ou de música. Evocamos para a simplicidade, mas os pais, de agosto a dezembro, recebem a chave da escola e, secretamente, vivenciam parte do processo das crianças e surpreendem a todos com espetáculos bem divertidos e elaborados. As crianças ficam encantadas de verem seus pais no palco e os avós então, tem dupla alegria, de verem, além de seus netos, seus filhos.  

Sobre o último ano das crianças na escola, recomendamos dois textos escritos por pais.

O Limpador de Chaminés

Roney Cytrynowicz

 

Era uma vez um pai que não conseguia despedir-se da pré-escola onde seus filhos haviam estudado. Os filhos estavam ótimos, tinham aproveitado ao máximo a escola, sentiriam imensas saudades, é claro, mas sabiam que era hora de ir para o primário em outra escola.

O problema era o pai. Ele é que não estava pronto, não se conformava de não estudar mais naquela escola. Ele é que não aguentaria a falta daquele portão mágico por onde os filhos desapareciam e reapareciam todos os dias. Ah, como ele gostava daquele pequeno espaço de calçada em frente ao portão, quantas coisas boas aconteciam ali, pequenas despedidas, reencontros, conversas, trocas, amizades.

O pai não se conformava e começou a arquitetar um plano secreto, tão secreto que só vocês podem saber, porque este plano é de verdade, não tem nada a ver com essa estória inventada. Shhhh, não contem para ninguém, segredo!

O pai ficou tramando o que é que ele poderia fazer para continuar estudando na escola. Pensou em várias possibilidades: oferecer carona a todos os amigos que ainda tem filho lá, começar a almoçar todos os dias no restaurante da frente, estudar para ser professor de pré-escola, entregar o almoço do semi-integral...

Foi então que o pai teve uma idéia. Iria disfarça-se de limpador de chaminés, oferecer seus serviços e, na primeira vez que descesse pela chaminé, instalaria um periscópio ao contrário, como o dos submarinos e, dessa forma, poderia ver tudo o que se passa na escola.

Quando o limpador de chaminés tocou a campainha, as diretoras da escola acharam um tanto estranho contratá-lo, mas o pagamento era tão pouco e o limpador de chaminé implorava tanto pelo trabalho que elas acabaram cedendo, achando que as crianças iam se divertir.

E lá se foi o limpador de chaminés. Ele trazia um espanador compriiiido, um cabo de vassoura, uma escada, um chapéu e um macacão preto.

Ao começar a limpar, o limpador de chaminés descobriu um túnel secreto e foi descendo, descendo, até debaixo da terra, e a descida era tão profunda que ele despencou até perder os sentidos e cair em um quarto escuro e fechado.

Até parecia um sonho.

Um interruptor brilhava e ele ascendeu a luz. Nas paredes do quarto eram projetadas imagens de todas as crianças que tinham estudado na escola, brincando no pátio, subindo na árvore, correndo, percorrendo o caminho de tonéis, desenhando, nas classes, nos grupinhos, grupões, oficina de artes; era um filme que passava ininterruptamente. E todos os pais, de todos os anos do Grão, iam chegando e davam muitas risadas felizes ao ver as crianças que passaram pela escola.

O limpador de chaminés descobriu que bastava deixar-se rolar, perder os sentidos e cair naquele túnel profundo cuja porta era a chaminé, e ali embaixo ele poderia sempre encontrar-se com suas próprias memórias e saudades da escola.

As diretoras da escola não entendiam muito aquele limpador de chaminé que vinha toda semana, agradecia o trabalho, esquecia o pagamento e saía marrom de sujeira, todo contente e sorrindo. Às vezes, as diretoras até achavam que ouviam um certo movimento embaixo do chão, mas nunca ligaram.

Após terminar o trabalho, o limpador de chaminé adorava bater papo com os professores, pais e crianças na calçada em frente ao portão da escola. Cada vez que algum vizinho pedia o endereço ou telefone do limpador de chaminés, ele desconversava, dizendo-se sempre muito ocupado.

  • Onde você aprendeu esse ofício?, perguntou certa vez uma diretora.

  • É uma antiga tradição de família, respondeu solene o limpador de chaminés.

  • Deve ter começado em um país com forte inverno, onde se acendem muitas lareiras.

  • Isso mesmo! E um dia vou ensinar este ofício ao meu filho, é uma profissão muito digna, mas é preciso respeitar uma antiga tradição da família: primeiro ele coloca os filhos no Grão de Chão, os filhos crescem, passam ao primário em outra escola, e só então chegará a hora de ele aprender a limpar as chaminés, começando pela chaminé da própria escola...

 

Roney, pai do Mauro e da Luisa, “estuda” no Grão desde fevereiro de 1995.

 

PS: Às diretoras do Grão de Chão, um pedido: jamais recusem trabalho mesmo ao mais improvável e desastrado limpador de chaminés...

De quando nos formamos

Maurício e Mônica
 

Quando os amigos pais me contavam de suas emoções com o momento da formatura de seus filhos confesso que achava um certo exagero, não imaginava que sentiria tudo aquilo, mas só passando pela formatura de nossos próprios filhos para sabermos do que falavam estes pais e de todo o cuidado do Grão com este momento. Em um breve comentário, acho que revivemos nossas experiências escolares, pelo menos foi assim comigo. Lembrei das inúmeras escolas onde estudei, e também de todas as despedidas, e a formatura para nós e nossos filhos, é a possibilidade de fecharmos um ciclo para podermos iniciar outro, prontos e abertos para a nova experiência que se seguirá. Portanto este momento acaba por ser um transbordamento de emoções muito pessoais.

Na primeira reunião para começarmos a pensar na formatura, um fervilhar de ideias e sugestões, pais animados, participantes. Nosso grupo era formado de psicólogos, engenheiros, músicos, jornalistas, professores todos artistas naquele momento. Depois de muitas reuniões, debates e indecisões a ideia veio através do Isaac: “Que tal o circo?”. Todos achamos a ideia boa, mas depois da apresentação do circo das crianças, projeto de grupão, sentimos que teríamos muito o que fazer para estarmos a altura de nossos filhos. Mas depois de muitos ensaios nosso grupo tomou forma, tínhamos equilibristas chineses, mágicos, ninjas, um circo de pulgas, palhaços, atiradores de faca e ilusionistas.

Uma das mães chegou com um roteiro e durante uma reunião as mães fizeram uma linda versão para uma música da Adriana Partimpim.

Aproximando-se da formatura, as reuniões se intensificaram e foram se tornando cada vez mais divertidas e esperadas. Quanta surpresa ao ver pais “travadões” se expandirem como palhaços, etc enfrentando sua timidez para presentear seus filhos.

Obviamente já perto da formatura cantar a música era sinônimo de olhos cheios de lágrimas (me acabei!!). Preparativos finais para as roupas. Idas à Vinte e cinco, Ladeira Porto Geral, bairro da Liberdade, aluguel de roupa, UFA!!

Deu tudo certo no dia e foi lindo. A apresentação das crianças, das professoras o discurso da coordenação. Nossa apresentação foi um sucesso, víamos o orgulho nos olhos de nossos filhos. Passava pelos meus pensamentos o relato da Paula sobre a conquista da subida na árvore. Ela dizia que a alegria das crianças do pré era chegar no ponto mais alto. Na saída, fim de festa, o Grão já quase vazio, Fernanda me chama lá do alto da árvore. A observação da Paula veio forte... Hora de ir embora com aperto no coração. E como diria a letra de nossa música: “Fica guardado no meu coração o que eu vivi aqui no Grão de Chão”.


 

Maurício (pai da Fernanda, ex-aluna e do Lucas G4 manhã)

Mônica (mãe do João, ex-aluno e da Ana G4 manhã)

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